Sobre o tema autoridade muitas são as
definições, contudo, há um ponto de convergência acerca de seu sentido,
relaciona-se ao ato de ordenar, de decidir, de atuar, de se fazer obedecer, ou
ainda se referir a entidade que detém esse direito ou poder.
Mas, quando o assunto é desenvolvimento
infantil, e principalmente, quando o aspecto desse processo é a formação
subjetiva referente à educação; de quem ou a quem compete a autoridade sobre a
criança, aos pais ou professores?
Bom,
é sobre esta reflexão e com o objetivo de problematizar, e não necessariamente trazer
respostas, mas apenas trazer mais um ponto de vista do que trata esse texto.
Algumas vertentes filosóficas defendem que ao
nascer, o ser humano seria como uma espécie de tábula rasa, ou seja, que sua
mente não contém nenhuma subscrição referente a sua personalidade, emoções,
temperamento, etc., mas que toda essa parte de seu organismo será construída
paulatinamente. Outra visão, a psicanalítica, na pessoa de seu fundador Freud,
declara que a mente humana, especialmente a personalidade é formada por
elementos genéticos/ hereditários e fatores socioambientais, assim, o indivíduo
ao nascer já conta com algum conteúdo subjetivo e certa predisposição mental, por
exemplo, em relação ao temperamento. No cotidiano, pode-se perceber isso nas
questões de semelhança de comportamento entre pais e filhos, mesmo quando esses
ainda são bebês.
Sobre a relação entre pais e filhos,
pode-se dizer que, dois seriam os principais aspectos: afeto e autoridade; o
primeiro mais relacionado à mãe, enquanto o segundo ao pai, ou às pessoas que
estejam exercendo tais funções.
Vale destacar que, a figura do pai está
diretamente relacionada a implementação da marca psíquica da autoridade, “do
limite”. Como exemplo, pode-se lembrar da fala materna comum acerca do mal
comportamento do filho: vou falar para o seu pai, Olha o seu pai! Vou contar
tudo para seu pai...
Bom, o que parece trivial e simples, é
na verdade a contribuição/ permissão da mãe, que o filho “interiorize” a representação
da norma, e isso é o que vai possibilitar, por exemplo, que ele desenvolva uma habilidade
chamada “tolerância à frustração “ou capacidade de suportar o “não”, e assim
viver de forma funcional com as regras, “habilidade essencial ao convívio escolar
da criança e vida social como um todo”.
Por falar em normas, lembrei do ditado
popular que diz: o meu direito termina onde começa o do outro! Sobre a escola,
esse é o primeiro espaço social de aquisição de conhecimentos e aprendizados.
Ambiente também marcado por várias “figuras de autoridade”, a principal delas o
professor, “adulto responsável pela condução dos processos educativos da
criança”, função que exige o exercício recorrente de autoridade, afinal de
contas, brincar é prazeroso sim, mas estudar, fazer tarefas, ficar sentado
durante horas e horas não!
Mas estudar é necessário, e para que
tudo corra bem, a criança precisa entender que, assim como em casa seus pais
estão no comando como autoridade sobre elas, na escola também ocorre o mesmo,
porém o que muda, é que no primeiro ambiente são os pais, já no segundo: os professores
Com
a implantação do “não “primeiramente em casa, a criança está pronta para a
rotina escolar, assim, quando seu professor já em sala lhe apresentar ao
proibição, o aluno aceita ”numa boa” que, não pode levantar e ir para o pátio
antes da campainha tocar ,que não pode
comer fora do intervalo, que não pode passear durante a aula e o melhor e mais importante de
tudo: aceita e reconhece no professor “uma autoridade “, e seus pais não
comprometem, anulam ou conflitam com este, pois os pais reconhecem que o
professor “é o mestre”, e com isso naturalmente ensinam mais uma ótima
lição a seus filhos: respeite o professor: ele é uma autoridade.
E sobre o conflito? Não tem, pois ele reside
no “não repasse” da lição dos pais a seus filhos de que, assim como eles, seus
professores também são autoridade, claro que “sem abusos”, pois o excesso de
qualquer das partes, ou mesmo a competição sobre quem é mais alto ou mais
poderoso sobre a criança, seria um problema.
Diante
do exposto, conclui-se que, a autoridade do adulto sobre a criança constitui-se
como importante elemento de seu desenvolvimento mental saudável, ela inicia-se
em casa com seus pais, e tem no pai sua principal figura, reconhecendo que o
professor também é uma autoridade, e que tal atributo é legitimado pelo aluno, quando
esta lição já começou primeiro em casa.
Andréia Leite
Psicóloga
& Coach Infantil/Familiar

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