De forma reiterada venho pontuando em minhas produções, reflexões
acerca da importância que a infância tem para a criança, como uma” fase em que
essa precisa e deve viver, praticar e aprender coisas de criança, ou seja, de
fato ser uma criança”!
Então vamos lá, poderia trazer neste texto vários pontos de
vista para o que seja a infância, mas vou apresentar a perspectiva da
subjetividade, o que naturalmente também coincide com a física, qual seja, “a
criança é um ser em pleno processo de desenvolvimento físico e psicológico e
formada por corpo e mente que automaticamente se entrelaçam na constituição de
uma pessoa. Vamos então ao entendimento do termo “desenvolvimento”, que segundo
o dicionário de português, é a ação ou efeito de desenvolver-se; ato de crescer
ou progredir,” progresso”. Bom essa definição nos remete a ideia de processo,
ou seja, momentos, ações e atos que ao serem vivenciados vão possibilitando ao
sujeito, crescer “desenvolver” e assim alcançar o progresso.
A palavra chave aqui é “vivência”, a criança precisa
experimentar, tocar, ouvir, aprender, sentir, vestir, comer... viver uma vida que
caracterize e respeite essa fase, como sendo única, importante, singular e particular
na vida dos pequenos. De tamanha importância também, é a compreensão por parte dos adultos que
assistem à criança de que se esse momento não for vivido pelos pequenos “infantilmente”,
certamente que as fases posteriores de seu desenvolvimento apresentarão problemas,
de outra forma poderia dizer que “queimar etapas “automaticamente traz
precipitação e antecipação de problemas.
E por falar em problema, vamos relembrar a historinha da
lagarta em seu casulo que ao ser avistada por um menino com intenção de ajudá-la
tratou logo de romper aquela casinha para que assim o bichinho ficasse “livre”
para abrir suas asas e voar, porém, o desfecho foi fúnebre, pois a lagarta
(adiantada em seu tempo e processo) “morreu”! Bom, com esta pequena ilustração
quero afirmar que quando lançamos sobre a criança conteúdos sejam eles
materiais como roupas, conversas, programação televisiva, lugares, programas,
lazer, informações, conflitos e emoções, que a criança ainda não tem como
responder, ainda que seja com “muito boa intenção” de fato o que conseguimos é
o desfecho fúnebre da “morte da infância daquela criança”, em como o a da
“quase borboleta”. Outro detalhe importante é que do ponto de vista subjetivo,
essa infância “morta “ou mesmo interrompida na verdade “ não morre”, pois na realidade subjetiva aquela fase fica suprimida e escondidinha na mente humana
o tempo todo querendo retornar, o problema é quando a criança já cresceu, e aí
segue já adulta “ao menos fisicamente “mas por vezes apresentando emoções e
comportamentos que revelam uma infantilidade e imaturidade que podem comprometer e muito a vida daquele
então adulto, ou seja, aquela infância permanece viva ainda que tenha sido
precocemente enterrada.
Uma das justificativas para “a boa intenção” de retirar a
lagarta do casulo é a da “liberdade”, mas reitero que liberdade para uma
criança que está em um momento de aprendizados e não de decisões, soa como algo
um tanto “de mais “já que ela ainda não sabe como lhe dá com tal demanda. Assim
pode ser que um movimento inverso aconteça o de transformação da liberdade em
libertinagem, o qual se caracteriza por uma entrega imoderada a prazeres ou
impulsos! Com isso quero dizer que a liberdade, é a consequência da maturidade
e que este é um atributo que deve ser adquirido através de um conjunto de vivências
e experiências da criança que devem ser acompanhados, orientados e
supervisionados pelos pais e é esse processo que vai dá condições para que a
criança possa crescer físico e emocionalmente rumo à sua própria vida e as suas
próprias decisões
Bom diante de todo o
exposto, posso afirmar uma coisa posso em alto e bom tom: Não existe criança
madura! Mas sim um pequenino ser, que por algum motivo está sendo convocado a
se tornar adulto antes, ou pior, fora do tempo!
Andréia
Leite
Psicóloga
& Coach Infantil/familiar

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