Logo de início declaro que não há
problema na adoção! A adoção costuma ser um ato de amor marcado por uma relação
de doação, nesse sentido dada a nobreza, tal ato poderia até ser chamado de
a-doar ao invés de adotar.
É certo que muitos são os motivos que
levam um casal a adotar uma criança, também parece claro que este não é apenas
um ato, mas um processo que envolve vários fatores que vão desde os motivos
pessoais da pessoa que adota até os aspectos jurídicas de tal processo. Assim, as
questões subjetivas que marcam a adoção envolve sentimentos e mesmo estigmas
que permeiam a mente e coração, a vida e também a qualidade da relação que será
estabelecida entre adotante e adotado.
Acerca dos elementos psicológicos
principais do ato de adoção suponho serem
quais os “porquê(s) que os pretensos
pais devem se fazer antes de tomar a decisão de adotar uma criança, quanto às
respostas elas são pessoais e por isso particulares a cada pessoa ou casal, no
entanto ressalto que o conteúdo das mesmas deve ter em comum a compreensão
sobre “Qual o sentido da adoção para a pessoa que adota”... Há de fato uma motivação
pessoal clara acerca dessa importante decisão e mais ainda uma compreensão de
que este processo envolve diretamente sua
vida mas principalmente a vida de outra pessoa. No caso pode-se dizer que “ a
adoção é um processo que implica na mudança do curso da vida de uma criança”,
pois real e simbolicamente o pequeno passará a ser filho e o casal pais.
Mas
o que seria necessário para que uma relação saudável se estabeleça entre pais e
filhos adotados e de fato tenha-se um vínculo parental? Bom, passo muito
importante é a compreensão aceitação/dos
agora pais, de que eles e a criança têm uma história prévia a chegada desse
último ao “novo lar” e isso independe se ela tem algumas horas ou mesmo alguns
anos de vida, assim o mais importante
dos então pais é não tentar negar ou
pior ainda esconder da criança fatos acerca de sua história, suas origens, pois
quando isto acontece principalmente através de mentiras essa chamará outras e
mais outras, e colocará os pais em uma situação diária de extremo desconforto e
a criança a um confronto recorrente entre o real e o imaginário que compreendem
os fatos como realmente são e as versões que seus pais adotivos lhe repassaram.
Quanto a negativa troca entre a revelação
da verdade e a manutenção da mentira acerca da adoção de um filho, pode-se
dizer que os efeitos da tal decisão repercutirão de forma prejudicial na vida
de todos os envolvidos nas histórias, mas pincipalmente na cabecinha da criança
que se vê dividida; e por vezes cindida entre mentira X verdade, fato X versão,
acreditar X desconfiar. Para tanto ainda sobre os pais adotivos o recomendável
é sempre “a verdade” que deve ser revelada desde o início do processo quando a
criança adotada apresentar certa capacidade de compreensão dessa história.
Do contrário, quando a verdade não é revelada,
mas sim “velada” tem-se então um ambiente propício para a criação de fantasmas
mentais que podem se transformar em sintomas emocionais e por isso chegar a
comprometer a formação da personalidade da criança como também a saúde mental
dos pais adotivos que passam a viver sua parentalidade de forma desconfiada e
não plena, sob o manto escuro da mentira ou a dúvida comum nesses casos: qual a
idade certa de contar para meu filho que ele é adotado...?
Diante do exposto, entende-se que se do
ponto de vista biológico a chegada de um filho exige decisão, compreensão e aceitação
e também uma adaptação corrente, no caso da adoção não é diferente e também
remete os pais à pergunta: Nós estamos dispostos e disponíveis a uma criança
agora? Nós contamos com tempo e amor necessário para doar e criar um filho... assim
caso as respostas sejam SIM, então tudo bem, a ideia é adotar, se doar e assim
construírem juntos adotante e adotado, ou melhor pais e filhos uma linda história
de amor e fatos com tudo estabelecido às claras.
ANDRÉIA
LEITE
PSICÓLOGA
& COACH INFANTIL/FAMILIAR

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