Em uma
analogia bem superficial vamos dizer que afeto é o conjunto dos “sins” que
damos às crianças e que o limite são os “nãos”.
E
agora, ficou mais fácil de escolher entre o afeto ou o limite?
Vamos começar com uma pequena explanação
acerca do desenvolvimento de uma criança, e já de cara, te afirmo que o filhote
humano é único e singular se comparado a todos os demais filhotes do reino animal,
pois o bebê nasce completamente vulnerável e sem nenhuma condição de sobrevivência,
bem diferente dos animais que geralmente possuem certa ou total independência,
contando principalmente com o instinto para garantir-lhes a sobrevivência.
Do
ponto de vista psicológico, o bebê nasce como que “zerado”, ou seja, sem um repertório
pronto, mas apenas disposto e apto para aprender, absorver e seguir trocando o
instinto com o qual nasceu, pelo aprendizado que lhe será transmitido, exceto
em algumas situações de extremo adoecimento. E é aí que o adulto, nesta ocasião,
a mãe e o pai vão servindo à criança como uma espécie de “espelho”, que reflete
sua futura imagem, a qual, paradoxalmente já está sendo forjada e constituída
ali mesmo, no presente momento dos atos de cuidado. Realmente, o cuidado é uma
arte!
A criança que ainda é muito pequena, um
bebê como já dissemos antes, já conta com tempo, disposição e mesmo idade para
receber afeto, ou seja, os “sins” repassados através de sentimentos, gestos,
atos e palavras de aceitação e aprovação. Podemos chamar toda essa transmissão
de informações e atos de cuidado, de “provas de amor”... Ah, então o amor não
tem idade para começar e também não é um mero sentimento ou emoção, que
naturalmente brota do coração da mãe, por exemplo, porém o amor, é sim uma ação
demonstrada nos subsequentes atos de cuidado ao filho. Segundo a psicanálise a
mãe é a primeira e primordial referência de cuidado da criança, uma espécie de
professora, que a ensina o jeito de ser no reino humano.
Para
recapitular: o bebê conta com muitas necessidades e nenhuma condição de supri-las
sozinho, logo, cabe à mãe ou qualquer outra pessoa que ocupe esse lugar na vida
da criança, a máxima: Amo, logo cuido!
Está claro então a importância do afeto no
desenvolvimento saudável da criança?
Ufa! Como é bom falar de amor! ... Mas
aguarde, vamos com calma, porque como diz um versículo bíblico: “A moderação em
tudo é boa”. Veja bem, “em tudo”, inclusive na formação das crianças.
Como já vimos, para o afeto não há idade,
mas e o limite, quando é hora de usá-lo e colocá-lo em prática e por quem?
Afirmo que o uso do limite deve ser
aplicado desde muito cedo, na verdade, mesmo quando a criança ainda é um bebê,
e isso, quase que paralelo ao afeto.
Assim, o limite, ou porque não dizer “os
nãos”, já podem e devem ser apresentados às crianças bem cedo, mas sempre
respeitando e observando seu tempo, modo, reconhecimento e compreensão dessa
informação, e devem ser aplicados principalmente pelos pais, mas também por
todos os adultos envolvidos na formação e educação dessa criança. Outro fator muito
importante é a linguagem usada pelo adulto, essa deverá ser adaptada,
infantilizada como a da criança, pois isso facilitará a compreensão da
expressão “não, isso não pode”, ou então da típica frase dita a partir do sexto
mês de vida da criança, quando muitas mães já precisam retornar aos seus locais
de trabalho, e necessitam dizer um doloroso “não” ao filho através da frase: “a
mamãe vai, mas volta”.
Então o que pode? Quero dizer, o que é
melhor para o desenvolvimento saudável de uma criança: o afeto ou o limite?
Eu diria que ambos, tanto um como o outro,
devem ser demonstrados em atos, palavras e exemplos a serem seguidos e
transmitidos à criança, sempre de uma forma firme, equilibrada, compreensível e
compatível ao tempo e modo de funcionamento e compreensão de cada criança, pois
na balança da vida, ambos, limite e afeto possuem o mesmo valor no
desenvolvimento da criança.
Andréia
Leite
Psicóloga
& Coach Infantil-familiar

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